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No andar superior está o restaurante Manjar das Garças. Em seu teto, os visitantes podem conferir uma canoa Ubá, toda enfeitada com garças feitas de miriti. Assinada por Emanuel Franco e Paulo Chaves, a obra foi batizada de “Revoada das Garças”. Outro trabalho artístico que se pode conferir é o Curtume, peça criada por Acácio Sobral a partir da técnica da encáustica. Para compor o cenário do restaurante, o piso central é feito de vidro, solução que dá visibilidade ao acervo que está exposta na parte de baixo. Ao longo de todo o restaurante, um especial mirante oferece espaço para conversar e apreciar a paisagem.
O Acervo
As águas da memória ribeirinha também estão ancoradas no Mangal das Garças. O espaço batizado de Memorial Amazônico da Navegação oferece aos visitantes três aspectos da evolução dos meios de transporte na Amazônia: o aspecto militar, (representado pela Marinha do Brasil); o comercial representado por um breve histórico da Enasa; e o regional, revelado na exposição de barcos que são utilizados na região Norte. Assim, o Memorial conta a história dos transportes fluviais, desde aqueles que foram construídos pelos índios até os que, seguindo uma nova tradição naval, aliaram traços portugueses e criaram a embarcação “mestiça”. A exposição mostra também a presença da Marinha Brasileira nos rios paraoras.
Visita monitorada
Toda a exposição da história dos transportes aquáticos na Amazônia é ilustrada pelo trabalho dos monitores do Mangal, que explicam aos visitantes alguns aspectos específicos e tiram dúvidas sobre curiosidades. Além disso, é possível ler em diversos painéis textos referentes a cada acervo do museu e, ainda, observar réplicas e peças originais referentes à navegação. Todos os textos contam com tradução em inglês.
Números
Cerca de 400 pessoas visitam por mês o Memorial. A média de grupos escolares é de 30. Mas, segundo dados da administração, o total de visitantes no período de férias chega a 600.
Regional
As marés da navegação fluvial nortista encontram um precioso porto de apreciação no Mangal. Dentro do prédio do memorial, há sete réplicas em miriti de embarcações usadas na região. Peças como a gaiola (embarcação fluvial movida a vapor, utilizada para transporte de passageiros), a marabaense (destinada ao transporte de mercadorias) e a vigilenga (utilizada na pesca, principalmente no município de Vigia). Esse espaço é chamado de Círio Fluvial. Segundo um dos monitores do museu, a área é a que mais chama atenção dos visitantes, já que são peças feitas por artesãos e foram doadas pelo Museu do Círio. Elas foram usadas pelos promesseiros como pagamento de promessa na romaria em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.
Na área central do interior do museu, espaço destinado à memória da pesca, encontra-se uma impressionante canoa original. Bastante usada pelos antigos índios, a ubá era toda feita a partir de um tronco de madeira inteiriço. Sua trabalhosa confecção fez com que a embarcação começasse a desaparecer da região, sobretudo a medida em que a construção naval européia foi ganhando espaço na Amazônia. O veículo, porém, ainda pode ser encontrado no município de Marapanim.
Na parte externa do museu, há três exemplares de uma canoa chamada “montaria”. As peças foram compradas em Marapanim. Além de trazer marcas indígenas, estas embarcações guardam traços portugueses, razão pela qual também são chamadas de “mestiças”.
Comercial
A navegação comercial também esta representada no Memorial. O espaço acolhe a réplica de um famoso navio da Enasa (Empresa de Navegação da Amazônia S/A). O veículo fazia parte da “frota branca” da empresa. Batizado de Lobo D´Almeida, o luxuoso navio estava no mesmo nível de embarcações como a Lauro Sodré, Augusto Montenegro, Leopoldo Peres e Presidente Vargas. A embarcação foi construída na Holanda em 1954 e tinha capacidade para 430 passageiros e 550 toneladas de carga. Em 1972, ele naufragou e foi posteriormente reformado. No ano de 1980 sofreu outro naufrágio. Logo depois, esses navios foram substituídos pelos catamarãs. O Memorial também expõe um jogo de porcelana que era usado para servir os passageiros da primeira classe do Lobo D´Almeida.
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